Confissões na adega da esquina


Foi-me ensinado que eu deveria ser boa menina e que ser boa menina era ser obediente e educada. Assim sendo, eu ganharia presente de papai noel no natal.
Fui boa menina. Não vi papai noel, não ganhei presente no natal!
Foi-me ensinado que deveria ser boa filha e que ser boa filha era ser obediente, educada e estudiosa.
Assim sendo, eu seria querida, amada e ganharia presentes de aniversário e de natal.
Fui boa filha. Não ganhei presente de aniversário nem de natal! Não recebi cuidados nem amor...
Foi-me ensinado que deveria ser boa aluna e que ser boa aluna era ser obediente, educada, estudiosa e ter boas notas.
Assim sendo, seria admirada, respeitada e bem sucedida.
Fui boa aluna... Nem admiração nem respeito nem nada! 
Foi-me ensinado que deveria ser boa moça, pra não ficar mal falada, pra arrumar bom casamento; e que ser boa moça era ser obediente, educada e prendada...
Já tava ficando cansada, já não acreditava em mais nada, mas tentei...
Fui boa moça. Até veio o casamento, mas não o bom casamento...
Foi-me ensinado que deveria ser boa esposa e que ser boa esposa era ser companheira, cuidadosa, sempre pronta, sempre junto.
Assim sendo, teria um bom marido.
Bertolesa que sou, fui boa esposa.
O bom marido não veio!
Foi-me ensinado que deveria ser boa profissional e que ser boa profissional era ser ética, responsável e honrar os compromissos.
Agindo assim seria respeitada.
Assim procedi.
E descobri que não é o QUE nem o COMO eu faço.
É o que eu sou!

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